Série “Diversidade de gênero e orientação” – parte 2

Olá queridas!! Como estão hoje?

Vamos seguir com a série de ‘Diversidade de gênero e orientação’, e hoje vamos falar sobre Transgêneros.

Imagem retirada de http://www.eltribuno.info

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Resumida e simplesmente, um transgênero é uma pessoa que não se sente como sendo do gênero que foi designado a essa pessoa no nascimento. Como eu havia comentado no post anterior, nós vivemos em uma sociedade binária na questão de gênero. Então, para nós, um transgênero é alguém que nasceu com um corpo que nós reconhecemos como sendo masculino, mas que não se sente homem, ou que nasceu em um corpo que nós reconhecemos como feminino, mas que não se sente mulher. E essa ‘sensação’ é completa: a pessoa não consegue se identificar com aquele corpo e os comportamentos esperados para o gênero que ela tem registrado.

Isso é o mesmo que travesti?

Não exatamente. Na verdade, as travestis são um tipo de transgênero. A diferença entre travestis e transexuais é que as travestis não se sentem mulheres, ou não se reconhecem como mulheres. Elas são um terceiro gênero, enquanto que os transexuais se adequam a um dos gêneros reconhecidos pela sociedade.

Mas não é um gay tão gay que quer ser mulher?

Não! Ser transgênero não tem nada a ver com a orientação sexual. Uma mulher trasngênero (pessoa que nasceu com um corpo reconhecidamente masculino mas que tem a ‘alma’ feminina) que sinta desejo por homens é considerada heterosexual. A orientação sexual não tem absolutamente nada a ver com a identidade de gênero e as duas não devem ser confundidas.

É doença? Isso pega?

Atualmente, é considerada uma doença psiquiátrica. Inclusive há, no Hospital das Clínicas, um ambulatório especializado em atender indivíduos com transtorno de identidade de gênero. É importante salientar que o transtorno de identidade de gênero pode ser identificado ainda na infância – e que somente com o apoio dos pais é possível que esse indivíduo tenha estrutura emocional para levar uma vida normal.

Por se tratar de um aspecto psiquiátrico, e de desenvolvimento da personalidade, não é contagioso 🙂

Ainda não se sabe a causa real que leva um indivíduo a desenvolver esse transtorno, e o único tratamento conhecido é o reposicionamento de gênero, ou seja, usar cirurgia e remédios para que o corpo físico se transforme e se adeque à mente.

Como se ‘muda de gênero’? Isso dói?

O termo correto para a alteração física a que as pessoas transexuais passam é ‘reposicionamento de gênero’. No Brasil, para que possam passar por esse reposicionamento, os transexuais devem, antes de mais nada, fazer um acompanhamento de pelo menos 2 anos com um psicólogo, um psiquiatra, um endocrinologista e um assistente social. Juntos, estes profissionais irão atestar quando o indivíduo estiver pronto para a cirurgia. Além do acompanhamento, nessa fase começa a hormonização – aplicação de hormônio masculino ou feminino para que o corpo comece a se transformar. Como não existe um tratamento específico para a transição de gênero, são usados pílulas anticoncepcionais para mulheres ou testosterona comum para homens. A transição para os homens costuma ser mais fácil, porque os efeitos colaterais da testosterona são menos graves que os efeitos colaterais dos anticoncepcionais.

Apesar de esse tratamento ser suficiente para que a pessoa ganhe a permissão para fazer a cirurgia, apenas 6 hospitais no país a fazem. Por isso, no SUS, a fila de espera é tão longa que a imensa maioria dos transgêneros morrem sem ter feito a cirurgia. Também é comum que mulheres transgêneros usem silicone industrial para feminilizar o corpo, o que pode causar até morte.

E por que eu devo me importar?

Os transgêneros são, na grande maioria dos casos, expulsos de casa assim que tentam assumir seu gênero. Há casos de pessoas expulsas de casa e abandonadas pela família com 16, 18 anos. Essas pessoas normalmente abandonam a escola porque são alvo de brincadeiras violentas, e não são defendidas porque está incutido na cabeça da maioria dos educadores que ser transgênero é sujo e errado. Sem estudo, as opções de trabalho são limitadas. E, quando aparecem, os transgêneros devem lidar com o fato de ser apresentado com um nome masculino, apresentando um visual feminino – ou o contrário. Dessa maneira, a regra geral é que eles partam para a prostituição como forma de vida. Não há opção para quem foi abandonado desde muito novo e é chacoteado e motivo de repulsa pela sociedade. Estamos falando de pessoas que não escolheram seu futuro: elas precisam travar uma batalha diária até para coisas básicas, como ir a um banheiro no shopping. O sofrimento e o constrangimento que as pessoas transgênero sofrem são imensos, e normalmente acontecem por falta de conhecimento. Todos os dias travestis e transexuais são assassinados simplesmente por serem quem são. As opções que eles têm são se agredirem e viverem como algo que não são – assumindo o gênero de acordo com o corpo – ou serem rechaçados da sociedade ao assumir seu gênero real.

E como eu posso ajudar?

Primeiramente, entendendo o que eles são. Se você chegou até aqui, já está com meio caminho andado 🙂 também é importante que você não duvide do gênero que um transgênero diz ter. Se a pessoa se identifica como mulher, é porque ela é uma mulher e deve ser tratada como você trata sua mãe, irmã ou conhecida. A única diferença é o nome social: como cada mudança de nome nos documentos é uma ação judicial que pode levar anos para ser decidida, os transgêneros normalmente usam um nome social de acordo com o gênero com o qual se identificam. E esse deve ser o nome que você vai usar. Também é importante não fazer perguntas que você não faria a qualquer mulher cis (cis = nascida em corpo feminino e que se identifica como mulher). Por exemplo, perguntar a uma mulher transexual se ela é operada é rude e nunca deve ser feito! Apenas trate com naturalidade – afinal, ela não é diferente de você enquanto ser humano 🙂

Se você tiver algum comentário ou pergunta, ficarei muito feliz de responder aos comentários 🙂

um super beijo, fiquem com Deus!!

Imagine-se precisando usar o banheiro e tendo como única opção o banheiro masculino. Imagine-se aplicando-se para uma vaga de emprego, e, na entrevista, ser anunciada como ‘Roberto’.

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One response to “Série “Diversidade de gênero e orientação” – parte 2

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